Em resumo
- O uso de IA nas indústrias brasileiras com 100 ou mais funcionários saltou de 16,9% em 2022 para 41,9% em 2024, segundo o IBGE.
- A IA já é mais usada na administração (87,9%), na comercialização (75,2%) e no desenvolvimento de produtos (73,1%) do que na produção (52%).
- Assistente técnico sobre manuais, ordens de manutenção, qualidade e cotação técnica são pontos de partida com retorno rápido e sem tocar em máquina.
Quando se fala em IA na indústria, a imagem que vem à cabeça é a de sensores, robôs e visão computacional na linha de produção. É um caminho importante, mas caro e longo. Os dados mostram que a maior parte do uso, e boa parte do retorno, está em outro lugar: nos processos que cercam a produção.
O que dizem os números
A PINTEC Semestral do IBGE, que acompanha 10.167 indústrias extrativas e de transformação com 100 ou mais funcionários, mostra que o percentual de empresas industriais usando IA subiu de 16,9% em 2022 para 41,9% em 2024. Em números absolutos, foram 4.261 indústrias usando IA em 2024, um crescimento de 163% em dois anos.
O dado mais revelador é onde essa IA está sendo usada.
Fonte: IBGE, PINTEC Semestral 2024. Percentual entre as indústrias com 100 ou mais funcionários que usaram IA.
A produção aparece em quarto lugar. Administração, vendas e engenharia de produto saíram na frente, porque é ali que estão os documentos, os e-mails, as planilhas e o conhecimento que a IA generativa sabe trabalhar.
O problema que a IA resolve primeiro: conhecimento preso
Toda fábrica tem um técnico que sabe resolver aquela falha específica da máquina antiga, um engenheiro que monta cotações técnicas de cabeça e manuais que ninguém consulta porque são difíceis de achar. Quando essas pessoas saem de férias ou se aposentam, o conhecimento vai junto.
O problema de pessoas é crescente. Entre as indústrias brasileiras que não usam IA, a falta de pessoal qualificado como obstáculo subiu de 46,4% em 2022 para 60,6% em 2024, segundo o IBGE. Nos Estados Unidos, Deloitte e The Manufacturing Institute estimam que até 1,9 milhão de vagas na indústria podem ficar sem preenchimento entre 2024 e 2033.
Um exemplo de como a IA ataca esse problema vem do programa Lighthouse, do Fórum Econômico Mundial, documentado pela McKinsey: a fabricante ACG Capsules construiu em duas semanas um assistente de IA generativa sobre seus procedimentos operacionais. Cinco semanas depois, quase três quartos dos operadores e técnicos usavam a ferramenta, e o tempo médio de reparo caiu 40%. É o resultado relatado por uma empresa, não uma média do setor, mas mostra o tamanho do potencial.
Sete usos ao redor da produção
- Assistente técnico. Responde a operadores e técnicos com base em manuais, procedimentos e histórico de manutenção, citando a fonte.
- Ordens de manutenção digitais. O técnico registra a ocorrência por voz ou foto no celular, inclusive sem sinal, e o histórico passa a alimentar o assistente.
- Qualidade e conformidade. Registro de não conformidades, apoio à análise de causa raiz e documentação para auditorias ISO.
- Cotação técnica em horas. Do pedido do cliente à proposta, com a IA montando a primeira versão a partir de cotações anteriores e a engenharia revisando.
- Suprimentos. Cotações com fornecedores, acompanhamento de pedidos e alertas de atraso.
- Relatórios de turno e eficiência. Indicadores como o OEE (eficiência global do equipamento) montados automaticamente a partir dos dados que já existem.
- Comércio exterior. Conferência de documentos de importação e exportação e apoio à classificação fiscal, sempre com revisão humana.
Os obstáculos, e como contorná-los
Entre as indústrias que já usam tecnologias digitais avançadas, o IBGE aponta o alto custo das soluções como a principal dificuldade, citada por 78,6%, seguido da falta de pessoal qualificado, com 54,2%. Esses dois obstáculos têm resposta prática, assim como um terceiro, o de dados:
- Custo: começar por um caso de uso de escopo fechado, com custo por execução medido, antes de qualquer investimento maior.
- Pessoas: usar a IA justamente para reduzir a dependência de poucos especialistas, transformando o conhecimento deles em base consultável.
- Dados: na pesquisa da Deloitte com fabricantes, quase 70% apontaram problemas de dados como o maior obstáculo. Manuais, procedimentos e históricos já existem em quase toda fábrica e são uma boa base para começar.
Por onde começar
O ponto de partida com melhor relação entre esforço e retorno costuma ser o assistente técnico sobre os manuais de uma única linha de produção. Em 30 dias, dá para ter o assistente funcionando, medido em tempo de resposta e uso pelos técnicos, sem tocar em nenhuma máquina.
Perguntas rápidas
Quantas indústrias brasileiras usam IA?
Segundo o IBGE, 41,9% das indústrias com 100 ou mais funcionários usavam IA em 2024, contra 16,9% em 2022.
Por onde começar com IA na indústria sem mexer nas máquinas?
Por um assistente técnico que responde a partir dos manuais, procedimentos e histórico de manutenção de uma linha de produção, com resultado medido em poucas semanas.
Na prática
Test Drive: agente de IA em produção em 30 dias
Um agente de IA resolvendo um processo real da sua empresa em 30 dias, com resultado medido.
Fontes
- De 2022 a 2024, percentual de empresas industriais utilizando inteligência artificial subiu de 16,9% para 41,9%. IBGE, Agência de Notícias, 24/09/2025.
- Número de empresas industriais que usam IA cresce 163% em dois anos. Agência Brasil, 09/2025.
- US manufacturing could need as many as 3.8 million new employees by 2033. Deloitte e The Manufacturing Institute, 03/04/2024.
- 2025 Manufacturing Industry Outlook. Deloitte, 2024.
- How manufacturing's Lighthouses are capturing the full value of AI. McKinsey, 09/04/2024.
Os dados foram conferidos nas fontes acima na data de publicação. Pesquisas citadas por veículos de imprensa estão indicadas com o nome do veículo.
